Cadernos de Saúde Pública traz edição sobre saúde urbana

csp_sup_nov2015_gA revista Cadernos de Saúde Pública de novembro de 2015 (vol.31, suplemento 1) é um número temático sobre saúde urbana e seus marcos, dilemas, perspectivas e desafios, com destaque para conceitos inovadores e métricas orientados para aferir determinantes urbanos e sociais, bem como políticas públicas, originárias tanto do setor saúde quanto fora dele. A maioria dos artigos nesse fascículo considera a interligação dos determinantes urbanos e saúde. Além de abordagens teóricas que envolvem um debate sobre sistemas complexos, esse volume compreende estudos empíricos com conceitos e métodos inovadores, incluindo aqueles projetados para a avaliação das políticas públicas urbanas construídas sobre um enfoque intersetorial. Também é destacado o trabalho dos observatórios em que estão sendo desenvolvidas e testadas as soluções possíveis de saúde urbana para atender às necessidades locais, com base em experiências em todo o mundo e na inteligência de saúde.

Segundo as autoras do editorial dessa edição da revista, Waleska Teixeira Caiaffa e Amélia Augusta de Lima Friche, da Universidade Federal de Minas Gerais; e Danielle C. Ompad, da New York University College of Global Public Health, EUA, a saúde urbana é a área do conhecimento alojada na saúde pública que permite repensar o impacto na saúde das intervenções do setor público nas cidades, incluindo aquelas que não necessariamente têm origem no setor saúde. “A saúde das populações que vivem em ambientes urbanos é função de influências globais, nacionais e locais e de uma rede de determinantes interligados”, afirmam.

De acordo com o editorial, os ambientes sociais e físicos definem o contexto urbano e são modulados por fatores (proximal e distal) e atores em vários níveis, assim, as tendências globais, os governos nacionais e locais, sociedade civil, setor privado e mercados modulam as configurações em que tais fatores locais operam. Nesse sentido, apontam as editorialistas, a saúde urbana é um campo próspero para tradução do conhecimento, com fortes laços sociais e políticos, guiado por métricas inovadoras, ou seja, indicadores e análises válidos, confiáveis, robustos e bem construídos para avaliar intervenções na cidade que podem impactar a saúde, e estreita associação com a administração pública e as suas relações intersetoriais, incluindo a governança.

O editorial considera que manter a atenção voltada para a exposição representada por condições de vida urbana representa um forte rgumento sustentado por um crescente corpo de evidências de que as causas subjacentes à doença no contexto urbano podem ser encontradas nos ambientes físicos e socioeconômicos. “Grandes avanços têm sido realizados em discernir a pobreza como um veneno, o ambiente construído como um dos principais determinantes da saúde e o ambiente social como o apoio benéfico ou maléfico capaz de modular nossa capacidade de permanecer saudáveis”, conclui.

Confira aqui todos os artigos do volume 31, suplemento 1 da revista Cadernos de Saúde Pública:
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_issuetoc&pid=0102-311X20150013&lng=pt&nrm=iso

 

Fonte: Agência de Notícias Fiocruz – 05/01/2016